Um dia tranquilo em uma cidade. O semáforo se abre, mas um carro não se move. Todos reclamam, até que pedestres resolvem verificar o que está acontecendo: o motorista, japonês, ficou subita e inexplicavelmente cego.
Esse é o começo de Ensaio sobre a cegueira, um filme baseado na obra de José Saramago, um escritor português. Ambientado em uma cidade não identificada, todas as pessoas que tem contato com esse homem que ficou cego ficam também cegas por uma doença desconhecida chamada Cegueira Branca, que inunda os olhos com alguma coisa branca como se tivessem acendido todas as luzes.
Um oftalmologista (Mark Rufallo) é um dos primeiros a ter contato com o japonês e, consequentemente, um dos primeiros a ficar cego. Sua esposa (Julianne Moore), preocupada, o acompanha até uma zona de quarentena. Mesmo com várias pessoas infectadas, ela não fica cega, praticamente imune a doença. No meio de tantos cegos, ela ajudava bastante com sua visão.
O governo tentou combater a Cegueira Branca, criando a zona de quarentena para onde o oftalmologista, sua esposa, o japonês e outros vão. Mas suas tentativas são inúteis, pois, como diz no filme, "a doença é imune a burocracia". Assim, com todos da cidade cegos, o principal objetivo é se manter vivo a qualquer custo, sem confiar nos outros. Sem visão, sem razão.
A mulher do oftalmologista e ele são os únicos que conseguem manter pelo menos um pouco de organização, conseguindo isso só em um pequeno grupo, que inclui eles dois, a secretária dele, o japonês e sua esposa, um ladrão, uma prostituta (Alice Braga), um caixa de farmácia, um homem com um tapa-olho (Danny Glover) e um menino perdido de seus pais. Na primeira oportunidade de liberdade da quarentena, eles não se separam.
Antes de todos serem infectados depois do japonês, o ladrão o ajudou a chegar em casa, levando o carro embora depois disso. Quando o japonês encontrou sua esposa e explicou tudo, ele disse "Quem é que rouba de um cego? Deve ficar cego também." E foi o que aconteceu.
Outros personagens marcantes são o rei da ala 3 (Gael García Bernal), autoproclamado, e um homem que nasceu cego. O rei cria uma ditadura, cobrando para entregar comida. Quando as jóias acabam, ele pede mulheres. O cego autêntico o ajudava a controlar tudo, fazendo contas em braile. Quando o oftalmologista descobriu, ele ficou indignado, perguntando como um cego pode fazer isso com os outros, como ele pode não ter compaixão. A ditadura acaba quando a mulher do oftalmologista mata o rei da ala 3.
Mesmo fora da quarentena, a situação é ruim. Tudo devastado, pessoas peladas que não acharam suas roupas, cachorros comendo corpos humanos, um caos total. Mas o pequeno grupo consegue se virar e encontrar um lugar para ficar, tranquilo e um pouco alegre.
No final, quando a mulher está servindo o café, o japonês recupera sua visão, trazendo esperança para o resto do grupo, menos para a mulher, que pensa "Estou cega".
Em um mundo cego, sempre há alguém que enxerga a realidade e procura por mudanças. Mas, para as outras pessoas, o cego é essa pessoa que tenta abrir seus olhos.

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