Sozinho, no meio do bosque, estou só pensando. Como a natureza é bela! Árvores verdes, balançando com o vento. Flores maravilhosas e coloridas. Riacho de águas claras e límpidas, com uma bela cachoeira. Borboletas de todas as cores e tamanhos. Uma lagarta verde está comendo uma folha em um galho do meu lado. Parece o paraíso.
Um carro acaba de chegar, trazendo uma família para se divertir nas águas do riacho. A mãe senta com seu bebê na sombra, com seus dotes maternais. O pai leva seus filhos, um menino arteiro e uma menina, mais nova, virtuosa e bonita, e nadam prazerosamente. A avó ajuda a mãe, ficando de olho em tudo e em todos, mas sem perder a graça da melhor idade.
Tudo parece tão bem. Parece que nada pode acabar com essa calmaria saudável e bela. Mas, quando menos se esperava, chegam vários carros de uma vez só, trazendo tratores e outras máquinas logo atrás. A família fica indignada com essa súbita e terrível interrupção.
O pessoal da construção nos diz que vão construir uma cidade e precisariam derrubar todo o bosque. O progresso urbano acabava de chegar ali, mas o progresso natural morria horrivelmente. Não havia como impedirmos isso.
Rapidamente, a cidade foi sendo construída. Primeiro uma casa, depois outra. Um mercado, um prédio, uma prefeitura, um hotel. O riacho foi canalizado para poderem construir em cima. Em pouco tempo, onde havia a mais bela paisagem natural, cheia de verde, agora é só um mar cinza. A vida rural foi substituída pela urbana. Não há mais trilhas de terra, onde era bom fazer caminhada ou andar a cavalo; no lugar, existem ruas cheias de carros emitindo uma fumaça nociva.
Agora estou vivendo nessa grande metrópole. Continuo vivendo sozinho, pois o amor que conheci morreu de bala perdida. Não consigo respirar direito, pois estou sofrendo de uma doença pulmonar causada pelo ar poluído. A morte acena para mim. Não vejo mais esperança. Sinto saudade daquele bosque verde e cheio de vida. O que posso fazer? Sou uma única pessoa no meio de tanta corrupção.
Deixo este texto como um protesto ambiental. Pelo menos, com isso, eu faço a minha parte.

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