Casa vazia. Sem tarefas a fazer. Hora perfeita para começar a escrever mais um best-seller.
Sobre o que escrevo? Nossa imaginação não tem limites. Posso escrever sobre alienígenas invadindo a Terra. Posso escrever sobre uma mulher que encontra o homem dos seus sonhos. E que tal sobre um grupo que é atacado por um monstro no meio da floresta? Os temas são infinitos.
Que personagens vão mostrar sua cara? Um homem trabalhador, com baixo salário e personalidade com a mesma força de seus músculos? Uma mulher amável e bonita, cuja vida familiar está abalada pelo estresse da cidade grande? Uma menina bagunceira e mimada que consegue tudo o que quer só chorando e xingando um pouco? Um adolescente estudioso e tímido, com o ensino médio a começar e a vida adulta a lhe acenar?
Os acontecimentos? O enredo principal? O antagonista da história? Coadjuvantes? Mensagem? Não consigo nem sequer uma palavra.
Talvez sair um pouquinho possa me ajudar. Quem sabe eu veja algo que me inspire e me ajude neste difícil trabalho. Olho pela janela: está chovendo fortemente. Resolvo ligar a televisão para compensar, mas um raio afeta a energia elétrica do meu prédio e fico repentinamente no escuro. Não há mais o que me inspirar.
Com o auxílio de uma lanterna e algumas velas, clareio a casa, de modo que posso continuar a escrever. Sento-me a mesa. Nada. Acabo indo para o quarto; quem sabe eu durmo e tenho um sonho inspirador. Deito-me na cama, mas o sono não vem. Relaxo um pouco então. Nada.
O que parecia simples se mostrou complexo. Não consigo escrever outro livro no momento. A energia elétrica voltou a funcionar, mas ainda me falta inspiração. Ligo a televisão e vejo que está passando futebol. Ideia!
E se eu escrevesse sobre uma história sobre um jogador de futebol? As dificuldades para entrar em um time, se profissionalizar, se destacar e virar um craque da seleção. É o que eu vou fazer.
Sento-me e começo a escrever. Erro. Amasso o papel e jogo fora. Escrevo de novo, erro, amasso o papel e jogo fora. Vou seguindo assim até olhar o relógio. Já passa da meia-noite. É melhor dormir. E ainda nem tenho o começo da história.
Desisto. Não vai dar certo. Vou esperar a inspiração. Agora não é possível. Me contento no momento com este pequeno conto. Logo irei conseguir escrever outro livro. Até lá, vou seguir minha vida normalmente.

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